đComo nascem as flores
fora do jardim.
Sou uma apaixonada por flores. Quando nĂŁo as compro, recebo-as de presente. Gosto de enfeitar a casa com elas. Parece que dĂŁo um toque a mais de vida quando chegam para embelezar o meu lar. Sem contar o perfume que exalam â nem sempre o percebemos, pois Ă© sutil. Ă quase um aroma poĂ©tico, doce, que adentra nossa alma e perfuma nossos coraçÔes.
E Ă© esse mesmo cheiro que sinto enquanto escrevo estas palavras que vocĂȘ lĂȘ.
Estava organizando a casa quando me deparei com meu pequeno arranjo de rosas e percebi que, em uma das hastes, havia um botão que ainda não começara a se abrir. Fiquei preocupada, porque as outras rosas jå estavam no seu åpice e logo começariam a murchar, ao passo que aquele botão nem sequer dava sinais de que sobreviveria.
Ainda assim, deixei o arranjo no mesmo lugar: na mesa de trabalho, bem prĂłximo de mim.
Em determinado momento, quando notei que a Ășltima rosa estava completamente murcha, percebi que o botĂŁo começava a se abrir lentamente. Talvez ele sĂł estivesse um pouco acanhado ou intimidado â pois nunca saberemos o que se passa na cabeça de uma flor.
A haste ainda estava verde, então havia esperanças. No dia seguinte, enquanto tomava café, fui surpreendida pelo botão que jå não era mais um botão. Ele havia se enchido de coragem e se aberto para a vida.
O curioso foi que, enquanto as demais eram rosas de cor vibrante, esta era quase branca â nĂŁo imaculada, obviamente, mas bem diferente de suas irmĂŁs. O que a tornou ainda mais especial para mim.
Ăs vezes, penso que muitos de nĂłs somos como essa rosa de cor indefinida. Afinal, ela nĂŁo Ă© branca nem rosa, mas Ă© tĂŁo bonita quanto as outras. SĂł que esquecemos de que essa singularidade Ă© nossa maior fonte de beleza e, por isso, demoramos a desabrochar. Talvez por medo do que os demais verĂŁo quando mostrarmos nossas pĂ©talas diferentes. Mas qual o problema de ser diferente? Qual seria a graça da vida se todas as flores fossem iguais?
Ela desabrochou no seu prĂłprio tempo. Foi a Ășltima sobrevivente de um ramalhete, e eu cuidei dela como cuidei de todas as outras, com o mesmo carinho. Ela certamente sentiu isso, porque ainda estĂĄ viva, enfeitando meu espaço de trabalho. O que ela nĂŁo sabe Ă© que muitas pessoas ainda se assemelham Ă ela: por serem diferentes, sentem como se nĂŁo pertencessem ao lugar para o qual foram convidadas a florescer.
Mas e se essa sutil diferença fosse o verdadeiro motivo de ela ser tão importante? Afinal, se eu não a tivesse encontrado, este texto jamais teria sido escrito.
Infelizmente, poucas pessoas tĂȘm clareza da prĂłpria importĂąncia. Esquecem que sĂŁo justamente os detalhes que tentam esconder â aquelas pĂ©talas de cores incertas â que as tornam insubstituĂveis. Portanto, nĂŁo tenha medo de desabrochar, porque aqueles que entendem de flores saberĂŁo que nĂŁo existe outra rosa igual a vocĂȘ.
Essa rosa me lembrou que a beleza mora, justamente, na coragem de desabrochar de um jeito diferenteâŠ
Foi desse mesmo sentimento â o de aceitar a prĂłpria essĂȘncia â que nasceu o meu novo livro. Se vocĂȘ tambĂ©m sente que Ă© hora de mostrar suas pĂ©talas ao mundo, convido vocĂȘ a conhecer O Despertar da Bruxa.
Uma jornada sobre o que acontece quando finalmente decidimos florescer.




O seu estilo de escrita que eu mais gosto Ă© esse aĂ.
Realmente, qual a graça? Ao entendermos que temos um lugar sendo quem realmente somos e não igual aos outros passamos a florescer.